Nutrição Geral - Nutrição Clínica


A gota d’... ácido úrico!

A gota é um tipo de artrite que provoca dores agudas e inflamação em determinadas articulações, especialmente ao nível dos pés, devido a uma acumulação de ácido úrico.

A gota é um tipo de artrite aguda que se manifesta por dores agudas e inflamação nas articulações, sobretudo ao nível do dedo grande do pé. As dores podem ser de tal maneira fortes que impedem qualquer movimento. Os homens com idades entre os 35 e os 55 anos são os mais afectados. Nas mulheres, a gota é cerca de 10 vezes menos frequente.

Ter uma concentração elevada de ácido úrico no sangue é uma das condições que poderá levar a uma crise de gota, apesar de a gota ter igualmente uma componente hereditária.

O ácido úrico é o produto final do metabolismo das purinas (substância presente em muitos alimentos). Cerca de 10% das purinas provêm da alimentação, sendo o restante sintetizado pelo nosso organismo. No nosso corpo há uma produção e destruição constantes de células, de onde resulta grande quantidade de purinas.

Quando tudo corre bem, as purinas em excesso são degradadas e dão origem ao ácido úrico, que será eliminado na urina, através dos rins. Mas, às vezes, o ácido úrico não é eliminado eficazmente e fica retido, aumentando a sua concentração no sangue. Quando isso acontece, o ácido úrico pode formar cristais de uratos que se vão acumular nos tecidos e nas articulações.

Alimentação adequada na gota

A alimentação é um dos aspectos a considerar no tratamento da gota. As pessoas que sofrem desta doença devem evitar consumir alimentos muito ricos em purinas, na medida em que estas contribuem para o aumento do ácido úrico no sangue.

Os alimentos com elevado teor de purinas são:

  • carne de porco;
  • caça;
  • enchidos;
  • miudezas e vísceras (fígado, rins, mioleira, etc.);
  • sardinhas, salmão, truta, arenque, cavala, bacalhau, ovas, caviar;
  • anchovas;
  • feijão, grão, lentilhas, ervilhas
  • espinafres

Os alimentos com teor moderado de purinas são:

  • carne de vaca e de novilho
  • aves (frango, peru, pato)
  • coelho
  • carne de borrego
  • marisco e crustáceos
  • espargos, couve-flor e cogumelos

Os alimentos com baixo teor (ou ausência) de purinas são:

  • todas as frutas e sumos de frutas (mesmo as ácidas);
  • os frutos secos;
  • os lacticínios;
  • os ovos;
  • a maioria dos legumes (com excepção dos espinafres, dos cogumelos, dos espargos e da couve flor).
  • arroz e outros cereais, massa, batata, pão

A melhor técnica culinária a utilizar nos alimentos com teor moderado de purinas é cozer em água, uma vez que a carne, o peixe e os legumes cozidos perdem grande parte das suas purinas na fervura.

Falsas crenças acerca da gota….

Existem algumas ideias infundadas sobre o tratamento da gota, como aquelas que relacionam o sabor ácido de alguns alimentos com a doença. O termo “ácido” gera confusão em muitas pessoas, mas que fique claro: o sabor ácido do tomate, laranjas e citrinos em geral, sumos de fruta, iogurtes, etc., não tem qualquer relação com o ácido úrico e estes alimentos podem (e devem) ser consumidos à vontade.

Existem mesmo determinados frutos e legumes cujo elevado consumo é recomendado, como sejam, as cerejas, os morangos, o melão e a melancia, o alho francês, a alcachofra e o nabo. Estes alimentos ajudam a eliminar o ácido úrico porque mantêm a urina alcalina.

Para assegurar uma elevada eliminação do ácido úrico através da urina, o doente deve beber bastantes líquidos (cerca de 2 a 3 litros de água).

O álcool é um dos factores que pode desencadear uma crise de gota em pessoas que sofram desta doença. Deve por isso ser eliminado de uma dieta preventiva de crises de gota.

A obesidade constitui um factor de risco para a gota, pelo que as pessoas com peso a mais deverão ser encorajadas a perder peso progressivamente (as dietas bruscas são de evitar pois podem levar a um aumento do ácido úrico).

 

 

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