Nutrição Geral - Nutrição Clínica


Já ouviu falar da homocisteína?

Os níveis elevados de homocisteína no sangue são um importante factor de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, nomeadamente para a formação de aterosclerose e ocorrência de ataques de coração.

Que o colesterol é um factor de risco para as doenças cardiovasculares, já quase todos o sabemos. Mas existe outro factor de risco que precisa conhecer. Trata-se da homocisteína, um aminoácido presente na corrente sanguínea e que, quando em elevada concentração, está associado a um aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Alguns peritos pensam que os níveis de homocisteína no sangue serão considerados, a curto prazo, tão importantes para prever o risco de doença coronária, como são, hoje em dia, os níveis de colesterol sanguíneo. Acredita-se que um teste ao sangue para analisar os valores de homocisteína, fará parte dos cuidados regulares a ter com doentes em risco cardiovascular.

Os valores normais de homocisteína no sangue situam-se entre 1 e 10 micromoles por litro de sangue mas, ao contrário do colesterol, não se sabe exactamente qual o valor seguro para o nível desta substância.

Estudos em animais têm provado que a homocisteína é um potente indutor da aterosclerose, causando graves danos nas paredes das artérias. Tal como acontece no caso de níveis elevados de colesterol, também em situações de níveis de homocisteína elevados no sangue, a dieta pode ter um papel importante na sua diminuição.

Como pode diminuir os níveis de homocisteína no sangue?

A homocisteína é um aminoácido intermédio que é formado aquando da interconversão dos aminoácidos metionina e cisteína, e em vários pontos deste processo metabólico é requerida a presença de ácido fólico, e de enzimas contendo as vitaminas B6 e B12 como cofactores.

Uma vez identificados os nutrientes que estão envolvidos no metabolismo da homocisteína, foi observado em diversos estudos que níveis elevados de homocisteína no sangue se relacionam com baixos níveis de uma ou mais destas vitaminas.

Uma ingestão inadequada destes nutrientes está relacionada com os elevados níveis de homocisteína presentes em muitos doentes, e é aqui que a alimentação entra com um papel decisivo.

Para garantir uma ingestão adequada de ácido fólico, cuja Dose Diária Recomendada (DDR) é de 200 a 400 microgramas, deve ingerir diariamente alimentos como os vegetais de folha verde escura, laranjas, leguminosas e cereais enriquecidos nesta vitamina, entre outros. Esta quantidade de ácido fólico pode ser encontrada numa chávena de cereais enriquecidos, num copo de sumo de laranja, em 6 espargos verdes, meio copo de lentilhas (ou outra leguminosa) e duas fatias de pão integral.

A DDR para a vitamina B6 é de 1,6 mg para as mulheres e de 2,0 mg para os homens, e existe em maiores quantidades na carne e peixe, nos cereais integrais e enriquecidos, na fruta seca e fresca. Pode conseguir-se esta quantidade ingerindo 1 banana grande e 1 chávena de cereais enriquecidos, entre outras combinações.

A vitamina B12 encontra-se essencialmente em produtos de origem animal como a carne, os ovos e os lacticínios, e em alguns alimentos enriquecidos nesta vitamina como os cereais fortificados e outros. A DDR é de 2,4 microgramas e pode ser conseguida ingerindo um peito de frango, um ovo cozido e um iogurte.

Consumir diariamente 5 porções de fruta e vegetais é uma forma de fornecer ao organismo a quantidade de ácido fólico e vitamina B6 suficiente para reduzir os níveis de homocisteína no sangue, para além de prevenir pólipos do cólon, e cancros como o do cólon e cervical.

A necessidade de suplementos de vitaminas do complexo B (ácido fólico, vitamina B6 e B12) deve ser avaliada em função do tipo de alimentação, e muitos especialistas aconselham a suplementação, sempre que existam dúvidas quanto a consumos adequados.

 

 

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