Nutrição Geral - Nutrição Clínica


A dieta do doente com VIH

O Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) tem como principal alvo o sistema imunitário. A perda de peso e a malnutrição são problemas comuns associados à doença. Muitas vezes, a diferença entre o sucesso e o insucesso do tratamento, pode depender de alguns quilos a mais ou a menos.

A dieta é uma componente essencial para os pacientes infectados com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH). Em geral, uma alimentação equilibrada fornece ao organismo todos os nutrientes de que precisa para uma série de funções.

O hiper metabolismo, alterações no metabolismo das gorduras e das proteínas, malabsorção e, especialmente, uma ingestão inadequada de alimentos, são causas frequentes de grandes perdas de peso nestes doentes.

Segundo a “American Dietetic Association and Dietitians of Canada”, a avaliação e terapia nutricionais devem ser partes integrantes de todo o processo de cuidados de saúde das pessoas infectadas com o VIH, para controlar os múltiplos factores que podem contribuir para o declínio da saúde nestes indivíduos.

A preservação do peso corporal e da massa magra, bem como a prevenção de deficiências de micronutrientes (vitaminas e minerais) são importantes metas nos cuidados primários a ter com pessoas infectadas com VIH. A perda de massa magra corporal diminui a sobrevivência e influencia a rapidez com que a morte atinge os indivíduos infectados.

Para a maioria dos pacientes, a meta é comer mais nos períodos em que estão a perder peso, sem ter em conta exactamente a ingestão calórica. Todos os pacientes requerem energia e proteínas adicionais para manter ou restabelecer o armazenamento de proteínas e o peso. No entanto, durante a doença na fase aguda, a ingestão é frequentemente diminuída, originando uma visível debilidade física.

Uma ingestão insuficiente de alimentos por parte destes doentes pode ser causada por uma série de problemas físicos, psicológicos e sociais. Apontam-se de seguida, alguns factores que impedem o consumo de alimentos, e as intervenções que podem ser postas em prática, com vista a um aumento da ingestão alimentar.

Principais problemas e intervenções possíveis

Anorexia (falta de apetite)

  • Comer pequenas e frequentes refeições, a cada 2-3 horas;
  • Comer alimentos de elevada densidade calórico-proteica;
  • Utilizar estimulantes do apetite;
  • Escolher os alimentos preferidos;
  • Utilizar técnicas de relaxação antes das refeições.

Náuseas/vómitos

  • Considerar a alteração da hora da medicação para depois das refeições;
  • Evitar comer alimentos sólidos e líquidos na mesma refeição;
  • Comer alimentos frios, secos e salgados, que são normalmente bem tolerados;
  • Comer alimentos simples: arroz cozido, puré de batatas, ovos mexidos, bananas, gelados, creme de leite e ovos.

Diarreia

  • Beber muitos líquidos para evitar a desidratação;
  • Para repor o sódio e o potássio comer bananas, batatas, carne e peixe, e beber néctar de alperce, sumo de tomate e bebidas para desportistas;
  • Evitar alimentos ricos em fibra insolúvel, como o arroz integral, farelo de trigo, leguminosas, etc., e preferir alimentos ricos em fibra solúvel: arroz branco, papas de aveia, molho de maçã, peras, maçãs, laranjas, puré de batatas;
  • Evitar alimentos fritos e ricos em gordura;
  • Evitar o sorbitol (presente em muitos alimentos ligth e dietéticos);
  • Evitar alimentos ricos em lactose (leite) e outros formadores de gases: feijões, lentilhas, brócolos, milho, alho, cebola.

Dificuldade em engolir/feridas no boca

  • Comer alimentos com uma textura suave e macia, misturados ou em puré: puré de batata, iogurtes, pudins, gelados, papas de aveia ou milho, banana amassada, fruta cozida, vegetais cozidos, queijo creme, etc.
  • Evitar comer alimentos que causem dor como, alimentos ácidos (laranja, tomate, maracujá e os seus sumos), alimentos picantes e muito salgados e as bebidas gaseificadas;
  • Beber líquidos através de uma palhinha;
  • Evitar comidas e bebidas muito quentes.

Em relação à nutrição oral, o plano alimentar deve ser hipercalórico e hiperproteico, bem equilibrado, e se necessário deve ser tomado um complexo multivitamínico-mineral.

Se o paciente não conseguir manter uma ingestão de alimentos adequada, suplementos nutricionais orais podem ser utilizados em adição à alimentação. Estes suplementos devem normalmente aumentar o aporte calórico em 20%. A maior parte deles encontra-se disponível em bebidas líquidas ou pudins, barras ou sopas. Salienta-se que estes suplementos não devem substituir os alimentos, mas sim serem adicionados.

Alguns micronutrientes desempenham um papel importante na manutenção da imunidade celular, incluindo as vitaminas A e E, e minerais como o zinco, ferro e selénio. Os suplementos nutricionais devem incluir a reposição destes micronutrientes. A suplementação com dosagens muito superiores às RDA não está provada como tendo impacto na morbilidade ou na mortalidade.

Conselhos de orientação específicos devem ser dados a cada portador da doença, para que, informado, ele possa gerir melhor a sua alimentação e prolongar o seu bem-estar.

Os objectivos da terapia médica nutricional na doença pelo VIH são uma precoce avaliação e tratamento de deficiências de nutrientes, a manutenção e reparação da massa magra corporal e o suporte para as actividades da vida diária e sua qualidade.

Assim, é essencial para a saúde de pessoas com o VIH/Sida, o acesso aos serviços de um profissional da saúde do ramo da nutrição, para que se possa desenvolver um plano de saúde em todas as suas vertentes.

 

 

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