Nutrição Geral - Nutrição Clínica


A alimentação do diabético

O diabético deve ser educado no sentido de adoptar hábitos alimentares saudáveis, em tudo semelhantes aos das pessoas não diabéticas e que pretendam manter um bom estado de saúde.

A alimentação é uma das bases fundamentais do tratamento da Diabetes Mellitus. A alimentação do diabético não deve basear-se em alimentos pouco usuais, mas sim, ser reforçada em determinados alimentos comuns, que o vão proteger a curto e a longo prazo.

Uma correcta distribuição dos alimentos ao longo do dia, fraccionando as refeições, ajuda a evitar as subidas e descidas rápidas de açúcar no sangue (hiper e hipoglicémia, respectivamente).

Embora a prescrição da alimentação deva ser individualizada para cada doente, seguem-se algumas orientações no sentido de se adquirirem hábitos alimentares saudáveis. A dieta prescrita para diabéticos alterou-se, para melhor, nos anos mais recentes.

Hidratos de carbono, os reis da alimentação!

Provavelmente já ouviu dizer que as pessoas com diabetes deveriam reduzir o consumo de alimentos ricos em hidratos de carbono (HC), mas de facto não é bem assim.

A alimentação de qualquer diabético, deve basear-se no predominante consumo destes alimentos, contribuindo com cerca de 55-60% das calorias totais necessárias.

Os HC que devem ser ingeridos em maior quantidade são os de absorção lenta – os amidos- uma vez que são os que provocam menores variações da glicémia.

Dentro dos alimentos ricos em amidos, existem ainda uns que são preferíveis aos outros. É o caso das massas, do feijão, do grão, das ervilhas, das favas, das lentilhas e do pão de mistura, que têm uma absorção ainda mais lenta que o arroz, as batatas e o pão branco. Estes últimos devem por isso ser consumidos com maior moderação.

Existem outros tipos de HC que têm uma velocidade de absorção intermédia. São fornecidos pela fruta – frutose- e pelo leite e iogurtes – lactose.

Finalmente, os HC que têm uma absorção mais rápida, como o açúcar comum – sacarose- e a glicose, devem ser consumidos apenas em dias festivos, e em quantidade muito moderada, no final da refeição. Encontram-se essencialmente nos doces, bolos, refrigerantes, mel, compotas, etc..

Gorduras, cuidado com o excesso!

No diabético, deve ser dada particular atenção à restrição de gorduras, em especial as saturadas, uma vez que se liga o excesso destas na alimentação, à aterosclerose, particularmente à doença coronária. Assim, a gordura não deve contribuir com mais de 25-30% das calorias totais.

O tipo de gordura mais prejudicial, a saturada, encontra-se principalmente em produtos de origem animal como a carne vermelha, enchidos, charcutaria, manteiga, nata, queijo e leite gordos, etc.

Para temperar e cozinhar, dê preferência ao azeite.

A carne deve ser consumida algumas vezes por semana, dando-se preferência às carnes mais magras como a galinha, o frango, o peru, a avestruz, o coelho e alguma carne de porco e vaca, magras.

O consumo de peixe deve ser incentivado, em especial os mais gordos – sardinha, cavala, enguia, carapau, sarda, salmão, etc.- devido à excelente qualidade da sua gordura, com papel importante na prevenção das doenças cardiovasculares.

Os frutos oleaginosos (nozes, avelãs, amêndoas, pinhões), apesar de serem muito calóricos, podem ser consumidos em pequena quantidade (como medida 1 chávena de café), cerca de 2 vezes por semana, pois contêm gordura de excelente qualidade, vitamina E, fibras e importantes minerais.

Proteínas, na conta certa

Devem ser consumidas em quantidade de 12-15% da energia diária. Consumidas em excesso sobrecarregam o organismo, em especial os rins.

As principais fontes de proteínas são a carne e o peixe, os ovos, o leite e derivados e as leguminosas.

Vitaminas, minerais e fibras, os protectores!

O consumo abundante de vegetais, hortaliças, fruta fresca e leguminosas, deve ser incentivado devido à sua riqueza em fibras, vitaminas e minerais.

Os diabéticos necessitam de um consumo superior de vitaminas anti-oxidantes, indispensáveis na prevenção e tratamento das complicações da doença.

Relativamente à fruta, vegetais e hortaliças, quanto mais vermelhos, amarelos ou verde-escuro forem, maior é a sua riqueza em vitaminas anti-oxidantes: vitaminas C e beta-caroteno.

As fibras são importantes por prevenirem e corrigirem as alterações dos níveis de colesterol no sangue, e contribuírem também para tornar mais lenta a absorção dos hidratos de carbono, evitando a hiperglicémia.

A fruta é vista com desconfiança quando se trata do diabético, o que só se justifica em certos casos (figos, diospiros, uvas, bananas). Assim mesmo, nada o impede de, ocasionalmente, comer uma destas frutas depois da refeição.

Duas ou três peças de fruta por dia é uma quantidade boa e suficiente. A fruta menos doce e que poderá comer com mais frequência, é: morango, framboesa, amora, ginja, cereja, ameixa, kiwi, melancia, maçã, pêra, laranja, pêssego, melão, etc..

 

 

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