Nutrição Geral - Emagrecimento


A dieta das proteínas

Esta dieta consiste num elevado consumo de proteínas e gorduras e na ausência total de hidratos de carbono. Apesar de provocar uma rápida perda de peso esta dieta é muito polémica pelas consequências negativas para o organismo.

A dieta das proteínas foi anunciada pela primeira vez em 1972 por um cardiologista norte-americano, o Dr. Atkins. As suas recomendações geraram uma grande polémica no meio científico, ao contradizer tudo o que se propunha para uma alimentação equilibrada e para perder peso eficazmente.

Principais características da dieta…

A dieta do Dr. Atkins recomenda a ingestão de grandes quantidades de alimentos ricos em proteínas como a carne vermelha e todas as outras, peixe, ovos, queijos de todos os tipos, charcutaria em geral e gorduras visíveis. Ou seja, ao recomendar uma dieta rica em produtos de origem animal que são ricos em proteínas, está a permitir igualmente um consumo elevado de gorduras, principalmente as saturadas. Desta forma, trata-se de uma dieta hiperproteica e hiperlipídica (elevada em proteína e gordura, respectivamente).

Outra característica desta dieta é a proibição de alimentos ricos em hidratos de carbono. Assim, são eliminados da dieta alimentos como o pão e produtos de panificação, o arroz, as massas, o açúcar, as frutas e os legumes. Apenas algumas verduras são permitidas (aquelas com menos de 2,5% de hidratos de carbono, como a alface, agrião, salsa, entre outros).

Os princípios do Dr. Atkins…

A acção da hormona insulina produzida pelo pâncreas está na origem da teoria da dieta do Dr. Atkins. O consumo de hidratos de carbono fornece glucose ao organismo e, para que esta glucose possa ser utilizada como fonte de energia, é necessária a presença da insulina. Assim, reduzindo o consumo de hidratos de carbono o corpo deixará de produzir insulina, já que esta se torna desnecessária. Ao deixar de ter a glucose como fonte de energia, o corpo será obrigado a utilizar outro combustível, neste caso a gordura.

Desta forma o corpo passa a “queimar” gordura para obter energia. Este processo de queima de gordura produz corpos cetónicos, que segundo o médico actuam no cérebro proporcionando uma sensação de saciedade.

Mas esta é apenas uma parte “da história”. As consequências desta alteração do metabolismo são muitas e, apesar de muitos estudos comprovarem que a dieta das proteínas promove uma perda de peso rápida, as circunstâncias sob as quais essa perda de peso ocorre são muito questionáveis.

Principais riscos associados à dieta das proteínas…

- Perder peso não é o mesmo que emagrecer

Por definição, emagrecer significa perder gordura armazenada. Quando se realizam dietas muito pobres em hidratos de carbono, o que acontece é uma diminuição do peso, por perda de água e de massa muscular.

- Perdas de peso a curto prazo

Esta dieta pode promover uma rápida perda de peso naqueles que a conseguirem seguir, mas não tem demonstrado promover uma perda de peso a longo prazo. A perda de peso sustentada ocorre desde que haja uma redução da quantidade de alimentos ingeridos e a correcção de hábitos alimentares errados. É necessária uma reeducação alimentar acompanhada de exercício físico, o que levará o indivíduo a perder gordura e a preservar a massa muscular. Dietas muito restritivas e desequilibradas, como esta, não são indicadas porque subestimam alguns nutrientes e sobrestimam outros, provocando carências e excessos nutricionais sérios.

- Produção elevada de corpos cetónicos

A dieta das proteínas eleva a produção de corpos cetónicos que, para além de serem responsáveis pelo desagradável mau hálito dos seus seguidores, aumentam a concentração de amónia em circulação, que em excesso é uma substância muito tóxica para o organismo.

- Elevado consumo de gorduras saturadas

O consumo de gorduras nesta dieta é muito elevado, em especial o de gorduras saturadas, o que é totalmente desaconselhado porque favorece o aumento dos níveis de colesterol e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

- Provoca cansaço, fraqueza muscular e tonturas

O cérebro utiliza como fonte primordial de energia os hidratos de carbono (glucose) mas, na ausência desta, tem que se adaptar e é obrigado a utilizar gorduras e proteínas, o que implica um processo mais lento e menos eficiente. Todas estas manobras levam a uma ruptura do processo bioquímico normal, com o consequente cansaço e mal-estar.

- Efeito yo-yo

Dietas imediatistas que provocam perdas rápidas de peso representam uma agressão muito grande para o organismo. Como são difíceis de seguir, o corpo tende a recuperar todo o peso perdido assim que se abandona a dieta.

Posto isto, reforça-se a ideia de que os hidratos de carbono são extremamente importantes para a saúde e bem-estar em geral. Se consumidos em excesso contribuem para o excesso de peso (em especial os hidratos de carbono simples como o açúcar e todos os produtos açucarados), mas se consumidos moderadamente não impedem (e ainda ajudam) a perda de peso.

 

 

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