Nutrição Geral - Alimentação Infantil


Obesidade infantil: causas e implicações

A obesidade infantil é uma realidade com consequências sérias mas, muitas vezes, é dada pouca importância aos quilos que não param de aumentar. Vale a pena estar atento.

O aumento dos casos de obesidade infantil nos últimos anos é significativo e preocupante.

O ganho de peso nas crianças acontece geralmente devido a uma combinação de factores ambientais como: maus hábitos alimentares, propensão genética para a obesidade, estilo de vida que inclua grande sedentarismo, perfil sócio-económico, factores psicológicos, etnia, entre outros.

Determinados hábitos alimentares familiares inadequados, como a ingestão excessiva de hidratos de carbono simples (açúcar, doces, refrigerantes, etc.) e gorduras, são frequentes em muitas crianças desde o início da infância.

As crianças obesas não são, necessariamente, crianças que comem em grande quantidade. Infelizmente, muitos dos alimentos que consomem são extremamente calóricos, o que significa que a criança não precisa comê-los em grande quantidade para ganhar peso. E o facto de a criança não comer muito à mesa, pode levar alguns pais a não entenderem o ganho de peso, por não contabilizarem determinados alimentos e bebidas, ingeridos fora das refeições (bolos, bolachas, folhados, fast-food, refrigerantes, aperitivos como batatas fritas, tiritas de milho e outros do género, etc.).

O conceito, por parte de muitos pais, de que uma criança gordinha é sinónimo de uma criança saudável, pode levar muitos a sobrealimentar os seus filhos.

A reduzida actividade física verificada em muitas crianças obesas é outro factor que desequilibra o balanço energético e leva ao excesso de peso. As crianças passam cada vez mais tempo em frente da televisão, actividade que não requer qualquer gasto energético, agravado pelo facto de essa actividade ser acompanhada, geralmente, por lanches ou alimentos muito calóricos.

Estudos sobre obesidade familiar concluíram que os factores genéticos são importantes na determinação da obesidade. A criança descendente de um dos progenitores obeso corre um risco de cerca de 40% de se tornar obesa. Se ambos são obesos, o risco de a criança se tornar obesa sobe para 80%. A influência dos pais vai mais além da transmissão dos genes. As preferências alimentares dos pais são também transmitidas e oferecidas às crianças.

Outros factores do tipo neuropsiquiátrico são igualmente apontados como causas da obesidade. Muitos psiquiatras afirmam que por trás de um obeso poderá existir um problema psíquico grave. Isso pode ainda ser agravado numa sociedade como a nossa, onde é atribuído um valor excessivo à aparência física e onde se julga que a obesidade resulta sempre da preguiça ou da falta de vontade da criança. Sentimentos de vergonha e embaraço podem resultar num aumento do consumo alimentar, já que a comida representa uma “válvula de escape” em muitas crianças angustiadas.

O interesse sobre os efeitos de um ganho de peso excessivo na infância tem aumentado na mesma escala, devido, entre outros, ao facto de o desenvolvimento das células adiposas neste período ser decisivo nos padrões de composição corporal na idade adulta.

É em torno dos dois anos e meio que se define o número de células gordas (adipócitos) de uma pessoa adulta. Por exemplo, uma criança com excesso de peso possui um maior número de células gordas, comparada com uma criança com peso normal e, na idade adulta, aquela que tiver maior número dessas células terá maior dificuldade em manter-se magro, uma vez que essas células, por serem muitas, deverão conter pouca gordura dentro delas. Por outro lado, uma criança com peso normal desenvolve um número adequado de células gordas e, mesmo que em determinada altura da vida adulta engorde, não será um adulto obeso, já que tem poucas células que armazenam gordura.

Os principais riscos para a criança obesa são a elevação dos triglicéridos e do colesterol, a possibilidade de desenvolver diabetes do tipo 2, problemas na coluna e nas articulações. Para além destes problemas, de ordem física, é comum assistir-se a uma diminuição da auto-estima, isolamento e até rejeição social.

Face às consequências desta doença, é urgente que pais e educadores estejam atentos e sejam actuantes no sentido de ajudar a criança a ter uma infância mais saudável (e feliz).

 

 

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